A evolução da Colônia nos primeiros anos


Inicialmente foram demarcados 60 lotes. No ano seguinte contavam-se 65 e, em 1911, o número aumentou para 68. Com a aquisição da fazenda Palmeiras, a colônia passou a somar 73 lotes. Destes, ao final do exercício de 1912, apenas 64 estavam ocupados, sendo apenas um por título definitivo.

Devidamente cercados e com uma casa de morada coberta de telhas, os lotes foram vendidos principalmente aos imigrantes que ali passaram a cultivar toda sorte de produtos, a maioria deles para serem vendidos na cidade ou, na "venda de secos e molhados", que ficava na entrada da Boa Sorte e que se transformou num verdadeiro entreposto comercial para uma vasta região.

As casas da Colônia tiveram como modelo (planta) as da Colônia Vargem Grande, uma colônia que já existia nas proximidades de Belo Horizonte.

Sabemos que entre novembro e dezembro de 1909, com 15 lotes preparados, foram instaladas na Constança onze famílias, sendo 8 alemãs (38 pessoas), 1 austríaca (7), 1 portuguesa (3) e 1 brasileira (8 pessoas). Essa população era formada por 31 pessoas do sexo masculino e 25 do feminino.

A Gazeta de 17.04.1910 informa que no mesmo mês da criação da Colônia foram deferidos os pedidos de lotes dos colonos Friederich (Fritz) Zessin, August Kraucher (Krauger), Karl Thiers, Franz Havier, August Schill, João Gerhim, Hermann Richter, Bruno Troche, Hermann Kunse (Krause) e Erust (Ernest) Lang. Informa ainda que o lote nº 41 foi cedido a Augusto Mesquita, que João Carminatti pretendia os de números 58 e 59 e que o lote 64 havia sido adquirido por Manoel Gomes Pardal.

Dos 16 colonos assentados no primeiro ano, 7 a abandonaram, tendo sido inscritos como devedores. Outros dois abandonaram a Colônia no ano seguinte.

A formação da Colônia Constança


Foram os imigrantes chegados a Leopoldina até vinte anos antes da fundação da Constança, que se constituíram na primeira população daquele núcleo agrícola.

No início, poucos conseguiram comprar os lotes. A maioria formou a população de agregados, citados nos relatórios da Diretoria de Agricultura, Terras e Colonização.

Consta que o núcleo vinha sendo planejado desde 1909 e foi constituído a partir das fazendas Constança, Boa Sorte, Onça (parte) e Puris (parte), adquiridas pelo Estado. Relatório da Diretoria da Agricultura, Terras e Colonização, de 1909, assinado por Guilherme Prates, informa que
"Acha-se situada no districto da cidade de Leopoldina, a quatro kilômetros da estação da estrada de ferro. Fundada em terras das fazendas annexadas e denominadas Constança, Sobradinho, Boa Sorte, Onça e o sítio Puris, que o Estado adquiriu. Tem área de 17.437.500,00 metros quadrados, dividida em 60 lotes, com cerca de 25 hectares cada um e um logradoiro público."

Mas a criação da Colônia ocorreu mesmo em 12.04.1910, através do Decreto Estadual nº 2801.

Para a sua constituição o Governo adquiriu, entre outras, a fazenda Boa Sorte com 122 alqueires, em 02.03.1909, conforme o Annuario Historico Chorographico de Minas Gerais daquele ano. Em julho de 1910 incorporou à Colônia as terras da Fazenda Modelo D. Antonia Augusta e, no ano seguinte, as das fazendas Palmeiras e Santo Antônio do Onça, esta última adquirida da Câmara Municipal, conforme a Gazeta de 30.06.1911.

Por que imigrantes italianos ?

Dois fatores principais contribuíram para a imigração italiana. O primeiro deles estava lá na Itália. Era a miséria que assolava algumas regiões rurais do norte do país, agravada pelas intempéries e pela chegada do capitalismo no meio rural, responsável pela concentração das terras nas mãos de grandes proprietários. Tais problemas acabaram por obrigar a migração para outras regiões ou para a América.

O segundo fator estava do lado de cá do Atlântico. A necessidade, de colonizar o Brasil e, de substituir a mão de obra escrava, levaram o governo brasileiro a incentivar e até financiar a vinda de colonos. E a propaganda, feita na Itália, de que aqui existia terra fértil e barata, foi a chave para o grande fluxo.

Assim, "fazer a América" (fare l’america), como se dizia, virou o sonho daqueles italianos.
Para se ter uma idéia do vulto dessa migração, segundo Thomas Sowell, citado por Rosalina Pinto Moreira, historiadora da cidade de Astolfo Dutra, no seu livro "Imigrantes ....Reverência"(pág. 24), "doze milhões de italianos emigraram, principalmente para as Américas, no maior êxodo de um povo na história moderna".
O espírito reinante na época bem se define na despedida deles da Itália:
"Nós, italianos trabalhadores, alegres partimos para o Brasil, e vós que ficais, ó donos da Itália, trabalhai empunhando a enxada, se quereis comer !"
Uma longa história e muito cara aos imigrantes de Leopoldina.

Razões para trazer Imigrantes


É bom reler a história da época e entender as razões da vinda desses imigrantes. Lembrar que antes da Lei Áurea já havia um movimento em busca do trabalhador livre, conseqüência principalmente da libertação dos escravos maiores de 60 anos e da Lei do Ventre Livre. Os fazendeiros sentiam que o abolicionismo crescia e eles perdiam a mão de obra escrava, fundamental na colheita do café, a maior riqueza da região.

Mas nem todos os imigrantes europeus se adaptavam ao regime de trabalho imposto pelos fazendeiros. Alguns conseguiam ser repatriados; outros iam e, tempos depois retornavam ao Brasil. E outros, quando chegavam à Hospedaria que os acolhia no percurso de volta ao país de origem, assinavam contrato com fazendeiro de outra região no Brasil e desistiam da viagem de volta.

Imigrantes Agricultores em Leopoldina


Alguns leitores escrevem perguntando quando chegaram os primeiros imigrantes em Leopoldina. Esta é uma pergunta difícil de ser respondida, já que não foram localizados os documentos da primeira fase. Esclarecemos que por primeira fase da imigração classificamos o período anterior a 1888.

O Jornal O Leopoldinense, de 1881, já se referia a imigrantes espanhóis que o Dr. Domiciano Ferreira Monteiro de Castro fizera embarcar da Corte para a Fazenda do Socorro, de propriedade do seu irmão Tenente Vicente Ferreira Monteiro de Barros.

Colonos não italianos

São freqüentes as consultas de leitores sobre a origem dos imigrantes e perguntam se Leopoldina recebeu apenas italianos.

Entre os colonos instalados na Colônia Agrícola da Constança, vários deles não eram italianos. Entre outros, citamos três que tomaram posse no mês de junho de 1910: Augusto Santos - lote 10, Francisco Dias Ferreira – lote 36 e Júlio Teixeira Figueiredo – lote 47. Infelizmente ainda não pudemos estudá-los, já que existiram homônimos vivendo em Leopoldina na mesma época e ainda não encontramos fontes que os identifiquem adequadamente.

Atividades desenvolvidas na Colônia Agrícola da Constança


A atividade agrícola na colônia foi assim discriminada no Relatório de 1911: culturas de café, arroz, feijão, mandioca, cana de açúcar, milho, amendoim e fumo, com a seguinte produção: 2.585 kilos de café, 60.880 kilos de arroz, 48.215 litros de feijão, 197.750 litros de milho, 225 de amendoim. Não foi mencionado o resultado da colheita da mandioca, da cana de açúcar e do fumo.
Quanto à atividade pastoril, ficou registrado: 444 leitões, 80 bovinos, 59 cavalos, 79 cabritos, 2.703 galináceos e 51 patos.
Os colonos entregavam 20% de suas colheitas como parte do pagamento de suas dívidas. No ano de 1911, o valor arrecadado em cereais foi de 5:221$836. Além disto, os colonos entregaram 1:998$750 em dinheiro. Ao final do exercício de 1911 o total dos débitos dos colonos montava a 61:210$767