Imigrantes Agricultores em Leopoldina


Alguns leitores escrevem perguntando quando chegaram os primeiros imigrantes em Leopoldina. Esta é uma pergunta difícil de ser respondida, já que não foram localizados os documentos da primeira fase. Esclarecemos que por primeira fase da imigração classificamos o período anterior a 1888.

O Jornal O Leopoldinense, de 1881, já se referia a imigrantes espanhóis que o Dr. Domiciano Ferreira Monteiro de Castro fizera embarcar da Corte para a Fazenda do Socorro, de propriedade do seu irmão Tenente Vicente Ferreira Monteiro de Barros.

Colonos não italianos

São freqüentes as consultas de leitores sobre a origem dos imigrantes e perguntam se Leopoldina recebeu apenas italianos.

Entre os colonos instalados na Colônia Agrícola da Constança, vários deles não eram italianos. Entre outros, citamos três que tomaram posse no mês de junho de 1910: Augusto Santos - lote 10, Francisco Dias Ferreira – lote 36 e Júlio Teixeira Figueiredo – lote 47. Infelizmente ainda não pudemos estudá-los, já que existiram homônimos vivendo em Leopoldina na mesma época e ainda não encontramos fontes que os identifiquem adequadamente.

Atividades desenvolvidas na Colônia Agrícola da Constança


A atividade agrícola na colônia foi assim discriminada no Relatório de 1911: culturas de café, arroz, feijão, mandioca, cana de açúcar, milho, amendoim e fumo, com a seguinte produção: 2.585 kilos de café, 60.880 kilos de arroz, 48.215 litros de feijão, 197.750 litros de milho, 225 de amendoim. Não foi mencionado o resultado da colheita da mandioca, da cana de açúcar e do fumo.
Quanto à atividade pastoril, ficou registrado: 444 leitões, 80 bovinos, 59 cavalos, 79 cabritos, 2.703 galináceos e 51 patos.
Os colonos entregavam 20% de suas colheitas como parte do pagamento de suas dívidas. No ano de 1911, o valor arrecadado em cereais foi de 5:221$836. Além disto, os colonos entregaram 1:998$750 em dinheiro. Ao final do exercício de 1911 o total dos débitos dos colonos montava a 61:210$767

População da Colônia Agrícola da Constança em 1910-1911


O RELATÓRIO DA DIRETORIA DA AGRICULTURA, TERRAS E COLONIZAÇÃO, ano de 1911, permite analisar os dados populacionais da Colônia Constança no seu primeiro ano de efetiva existência.

A sua população era então de 386 indivíduos, sendo 183 do sexo masculino e 203 do feminino, distribuídos pelas seguintes nacionalidades: brasileira 53, italiana 164, portugueza 58, alemã 49, espanhola 2, austríaca 6 e turca 4. Ressaltamos que nem todos os habitantes da colônia eram proprietários de lotes. Pelo contrário, um número expressivo era composto de agregados às famílias dos colonos, imigrantes que não haviam se adaptado ao regime de trabalho imposto pelos fazendeiros da região e que, em alguns casos, estavam há quase vinte anos morando provisoriamente nos mais diferentes lugares. Muitas vezes também, o proprietário do lote era apenas aquele que conseguira aprovação ao seu projeto de financiamento. Mas o trabalho era realizado por diversas famílias que seriam meeiras do colono registrado.

Segundo o Relatório acima citado, no exercício de 1911 estavam localizadas no núcleo 18 famílias, com o total de 93 indivíduos, mas uma a abandonou no mesmo ano. No entanto, é preciso observar que o relatório não se refere ao ano civil, mas ao ano decorrido desde o relatório anterior, baseado em mapas de janeiro de 1910.

Quanto aos que abandonaram a colônia, foram 9 famílias com 50 indivíduos, chefiadas por: Angelo Bucciol, August Krauger, August Schill, Bruno Troche, Franz Negedlo, Franz Schaden, Herman Krause, Karl Thier e Demetrio de Lorenzi. Este último instalou-se na Colônia no dia 26.02.1911 e três meses depois a abandonou, tendo sua saída sido registrada a 30.05.1911. O montante da dívida destes colonos era então de 2:821$398.

Entre a chegada ao Brasil e a compra do lote


Através dos Fofano, observamos mais um caso de colonos que foram instalados na Colônia Agrícola da Constança, em Leopoldina, muito tempo depois de terem vindo para o Brasil. Isto ocorreu porque muitos imigrantes foram contratados pela Província de Minas Gerais entre os anos de 1887 e 1894, com o objetivo de substituir a mão de obra escrava. Desembarcados no Porto do Rio, eram encaminhados para Hospedarias de Imigrantes de onde saiam sob contrato com algum fazendeiro ou mesmo alguma câmara municipal.
No caso de Leopoldina, já encontramos famílias que desembarcaram no Rio em 1894, ficaram alguns dias na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora e foram contratados pela Câmara Municipal de Leopoldina que os encaminhou para fazendas do município. Muitos desses imigrantes, quando da criação da Colônia, ali adquiriram lotes e passaram a cuidar da sua própria terra.

Republicação de nossos textos

Entre 1999 e 2001 nós publicamos, em jornais de Leopoldina, uma série de artigos comemorativos dos 90 anos da Colônia Agrícola da Constança. Logo depois foram para o site, sendo mantidos na forma original.
Este blog tem por objetivo republicar partes daqueles textos que estavam, até agora, reunidos num outro espaço.

Famílias de Colonos: os Fofano


Carlo Batista Fofano, filho de Francesco Fofano e Luiza Carrara, nasceu em Mogliano, no Veneto. Casou-se em Piacatuba, distrito de Leopoldina, com Adele Maria Estevam, filha de Vicenzo Estevam e Maria Bedin. Carlo e Adele ocuparam o lote 27 da Colônia Constança.

Paschoal Domenico Fofano ocupou o lote 8. Em 1921 Paschoal casou-se, em Leopoldina, com Olivia Meneghetti, filha de Luigi Meneghetti e Maria Verona. Acreditamos que este tenha sido um segundo casamento de Paschoal, uma vez que existe uma filha sua, de nome Maria Carolina Fofano, nascida em 11.07.1899, em Tebas, o distrito de Leopoldina mais próximo da Constança.